Estilos de Karate

A despeito do que preconizavam os grandes mestres, hodiernamente, há na seara do Karate um grande número de divisões.

A Federação Mundial de Karatê (World Karate Federation – WKF) reconhece oficialmente apenas os seguintes estilos:

Shotokan

Shito-ryu

Goju-ryu

Wado-ry

 

Por outro lado, a União Mundial das Federações de Karate-do (World Union of Karate-do Federations – WUKF) reconhece a oito:

Os reconhecidos pela WKF:

Shorin-ryu

Uechi-ryu

Kyokushin

Budokan

A par dos princípios básicos elencados e tendo em foco o Bushido, o mestre Kanga Sakukawa elaborou um código, o Dojo kun, para servir de norte à prática do caratê. Tal código é composto por cinco regras:
“ Esforçar-se para a formação do caráter.
Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão.
Criar o intuito do esforço.
Respeito acima de tudo.
Conter o espírito de agressão.”

As Aulas
As escolas de Karate tem seus ensino próprio porem não foge a regra de igualdade formando assim um trinômio, Kihon , Kata e Kumite.
Kihon significa Fundação ou fonte , é um conceito de técnicas básicas , socos, cuteladas, defesas e chutes que é repetida por diversas vezes até tornar-se natural para o praticante, geralmente é utilizado o KIAI na execução fazendo com que a energia KI do golpe não seja desperdiçada e sim canalizada do modo mais eficiente para a musculatura .
Kata significa forma ou modelo, uma luta combinada para ser executada pelo praticante sozinho são movimentos coreografados contra um ou vários oponentes.
Há muitos kata e muitas variações de um mesmo kata, dependendo do estilo/escola e até de professor para professor, refletindo diversos significados e as características desse estilo/escola. Os significados e aplicações de um kata são dadas pelo bunkai, ou aplicação.
Kumite significa encontro de mãos é nas modalidades modernas das artes marciais japonesas um dos componentes de treinamento e de competição, é a luta, o combate. No Karate junto com o kihon , idogueiko e kata forma a tríade básica de sua didática. É classificado conforme a finalidade pedagógica. Nem sempre foi parte das aulas porque os mestres consideravam arriscado praticá-lo sem necessidade real de luta.

Ordinariamente, existem três tipos de treino com luta: jyu kumite, ou combate livre com controle; shiai kumite, combate de competição, semi-livre, com controle extemo dos golpes; e yakusoku kumite, combate combinado.
Estilos de Karate que a Federação Mundial de Karate ( World Karate Federation – WKF) reconhece.

Shotokan
Shotokan que significa Casa de Shoto é um dos estilos de karate que surgiu dos ensinamentos ministrados pelo mestre Gichin Funakoshi e por seu filho, Yoshitaka Funakoshi. O repertório técnico do estilo foi baseado no do Shorin-ryu, mas, devido aos estudos empreendido pelo filho do mestre e sua influência, várias técnicas foram incorporadas e modificadas, de modo a valorizar mais o lado esportivo e físico como forma de promover o desenvolvimento da pessoa.
O Shotokan foi totalmente baseado no estilo Shorin-ryu,tanto que o criador era praticante desse estilo.O Shotokan foi criado para a correção de alguns detalhes e ocultar a influência chinesa por conta da rivalidade entre o Japão e a China, para ser bem recebido pela divulgação em Tóquio em 1921.
A famosa expressão do mestre Gichin Funakoshi – Karate ni sente nashi No caratê não existe atitude ofensiva) – define claramente o propósito antiviolência.
Se o adversário é inferior a ti, então por que brigar?
Se o adversário é superior a ti, então por que brigar?
Se o adversário é igual a ti, compreenderá o que tu compreendes…
então, não haverá luta.
Honra não é orgulho, é consciência real do que se possui.

O estilo Shotokan tem-se bases fortes e golpes no corpo inteiro. Os giros sobre o calcanhar em posição baixa dão fluidez ao deslocamento e todo movimento começa com uma defesa. Este é um estilo em que as posições têm o centro de gravidade muito baixo, e em que técnicas como um “simples” soco direto são difíceis de se dominar, porém quando a técnica é dominada o seu poder é incrível e quase sobre-humano.Alguns tendem a classificá-lo como uma evolução do estlio shuri-te ou shorin-ryu. Entretanto, há divergências porque as bases do shotokan são precipuamente baixas, enquanto que em shuri-te são altas. Ademais, há golpes como mae geri e ushiro geri, que não são comuns nos estilos shorin, mas estão presentes no estilo de Funakoshi.Neste estilo são levados a sério fatos como: a concentração e o estado de espírito, pois sem concentração e um estado de espírito leve porem determinado a técnica de pouco servirá, devendo estes dois atributos expandirem-se com a pratica e determinação.

A entidade SKIF, do mestre Kanazawa, entre os períodos final do século XX e inicial do século XXI incorporou outros katas, a saber, Nijuhachiho, Gankaku sho, Seipai e Seienchin. Da mesma forma, o mestre Asai, sem romper com a herança do mestre Funakoshi nem chamar sua escola de estilo diverso, incorporou a prática de outros katas.
1. Ten no kata
2. Taikyoku shodan
3. Taikyoku nidan
4. Taikyoku sandan
5. Heian shodan
6. Heian nidan
7. Heian sandan
8. Heian yondan
9. Heian godan
10. Tekki shodan
11. Tekki nidan
12. Tekki sandan
13. Bassai dai
14. Jion
15. Enpi
16. Jitte
17. Hangetsu
18. Kanku dai
19. Gankaku
20. Nijushiho
21. Jiin
22. Bassai sho
23. Kanku sho
24. Chinte
25. Wankan
26. Sochin
27. Meikyo
28. Gojushiho sho
29. Gojushiho dai
30. Unsu

Shito-ryu
Shito-ryu pode ser traduzido como “estilo dos mestres Itosu e Higaonna”, é um estilo de carate, criado (oficialmente) em 1931 por Kenwa Mabuni, que sintetizou os estilos tradicionais, Tomari-te, Shuri-te e Naha-te, no escopo de preservar as técnicas ensinadas à época pelos renomados mestras Anko Itosu, do estilo de Shuri ou Shorin-ryu, e Kanryo Higaonna, do Naha-te ou Shorei-ryu, mantendo aquelas formas e variações dos kata por estes últimos ensinadas, no que resultou no maior repertório dos estilos de Karate. Ainda nesse fito, a denominação da linhagem foi dada em homenagem aos dois mestres, pois o repertório técnico do sistema orbita em torno dos sistemas desse dois grandes mestres de Karate, que representavam também as vertentes principais da arte marcial.
O estilo é um dos quatro oficialmente reconhecidos pela Federação Mundial de Caratê. Outro memento importante da linhagem é o fato de formar outros grandes mestres, os quais acabaram por instituir suas próprias entidades, com características próprias mas sempre conectadas à vertente principal, como as escolas Motobu-ha Shito-ryu e Hayashi-ha Shito-ryu.
O mestre Kenwa Mabuni, nascido na cidade de Shuri, na ilha principal do arquipélago/distrito de Oquinaua, era membro da tradicional aristocrática local, descendente de uma famosa família denominada Shikozu (de casta de Samurais).
Porque a compleição corporal era débil, aos 13 anos, Mabuni começou a treinar Shuri-te em sua cidade natal, sob a tutela do lendário mestre Anko Itosu, com quem passou vários anos, aprendendo diversos katas e outras técnicas.
Entrementes, por intermédio de um de seus melhores amigos, o reconhecido mestre Chojun Miyagi, fundador do estilo Goju-ryu, apresentou Mabuni a outro grande expoente das artes marciais daquele período chamado Kanryo Higaonna, com quem começou a aprender outro sistema, o Naha-te.
Embora Mabuni estivesse a treinar a mesma arte marcial, de Okinawa, foi submetido a duas concepções bem diferentes: o te ensinado por Anko Itosu compunha-se de técnicas velozes, fortes e poderosas, com deslocamentos lineares, longos e angulosos; por sua vez, a arte de Higaonna possuía métodos baseados em movimentos circulares, fortalecimento do corpo e combates a curta distância, com prevalência de golpes manuais. Não se dando por satisfeito, Mabuni foi estudar outras formas com outros mestres, como seu amigo Miyagi e Seisho Aragaki, Tawada Shimboku, Sueyoshi Jino e Wu Xianhui (um mestre chinês conhecido em Oquinaua como Go-Genki). Mabuni também treinou com Morihei Ueshiba, o fundador do Aikido, dessa interação os katas Aoyagi e Myojo foram criados.
O Sensei Mabuni dedicou-se a preservar exatamente a forma e a essência das técnicas tradicionais, ensinando-os exatamente como lhe foram ministrados, de modo a consolidar os três grandes estilos, Shuri-te, Naha-te e Tomari-te, em um único sistema detalhado, resultando na combinação das características dos estilos mais suaves e linear Shuri-te e Tomari-te, de Anko Itosu, com o estilo duro-circular do Naha-te, de Kanryo Higaonna. Porém, Kenwa Mabuni não se contentou em mesclar as correntes, também sistematizou o treinamento de maneira racional e científica, construíndo uma verdadeira e original sínteses, posto que lastreada de forma fiel nos de diversos mestres.
O estilo é o sistema mais extenso de caratê que existe, que se distingue dos demais pelo grande número de katas, pela suavidade e versatilidade das técnicas de combate e pela inclusão de técnicas de solo (ne waza) e do uso de armas (kobudo).

Goju-ryu

Goju-ryu é um estilo de karatêe desenvolvido por Chojun Miyagi, originário de Oquinaua, que é considerado a principal linhagem directamente descendente do estilos Shorei-ryu e, antes deste, do Naha-te. O estilo conjuga técnicas duras, rígidas com formas suaves. Daí seu nome go (剛, duro?), ju (柔, suave?), ryu (流, ryū?, fluxo, escola), ou seja, [estilo de] fluxo forte e suave. A maioria das técnicas de sensei Miyagi foi-lhe ensinada pelo mestre Kanryo Higashionna, do tradicional estilo Naha-te.
Kanryo Higaonna tornou-se especialmente conhecido por sua incrível velocidade, força e poder. Sua arte tornou-se conhecida como Naha-te. Após a sua morte, o seu sucessor foi o Sensei Chojun Myiagi. Por volta do ano 1899, quando contava onze anos de idade, Chojun Miyagi foi treinar artes marciais com Ryuko Aragaki, cuja lições se concentraram em desenvolver o físico por meio do treinamento (hojo undo) com equipamentos como pesos de pedra (chishi), jarros de barro (nigiri-game) e makiwara.
Em 1901, o aluno Miyagi foi apresentado ao mestre Kanryo Higashionna, quando aprende todos os kata do estilo. Neste aspecto Miyagi diferencia-se de Higaonna, porque, para este último, um carateca deveria concentrar-se num único kata por anos a fio, até conhecê-lo profundamente, mas Miyagi demonstra ser possível aprender todos os aspectos do Naha-te. Contudo, com Miyagi, o treinamento é estremanente árduo e é dado especial foco no kata Sanchin.
Por influência de seu mestre e na companhia de seus amigos Yoshikawa e Wu Xian Hui (mestre chinês de Pak Hok Pai que passou a viver em Oquinaua, compartilhando seus conhecimentos marciais com renomados mestres de caratê no começo do século XX), Chojun Miyagi faz sua primeira viagem até a China, o que veio a influenciar diretamente o estilo, fato que é visto em alguns kata. Ficou lá por quatro anos, seguindo os passos do seu mestre, quando treinou os estilos Pa Kua Chang e Shaolin Chuan, estilos suaves e internos que além de aprimorarem o físico, prezam muito pelo desenvolvimento emocional e espiritual. Quando regressa à sua terra natal, baseou-se no princípio de yin e yang (as energias negativa e positiva que regem o universo) e uniu a flexibilidade das artes internas chinesas à rigidez do tradicional estilo Naha-te, criando assim o Goju-ryu.[4] Porém, as bases do estilo já haviam sido estabelecidas pelo mestre Kanrio Higaonna, discípulo do mestre Chinês Woo (“Ru”, em japonês), ou Ryu Ryu Ko.
O estilo, como o próprio nome denota, é marcado pela busca do equilíbrio entre os opostos, das energias antagônicas e complementares. Ele ensina como agir, seja com energia ou brandura, rapidez ou suavidade.
Ao se praticar o estilo, pretende-se aprender a ser como a água, fluída e sem forma, por isso pode assumir todas as formas: calma e suave ou revolta, mas ambas com o poder de passar por quaisquer obstáculos, mesmo os de aparência mais resistentes.
Resumidamente, pode-se dizer que os estilos Goju-ryu e Uechi-ryu (outra linhagem que descende do Naha-te, mas indiretamente) têm influência chinesa mais direta, especificamente do wushu de Shaolin do sul (Pangainun, estilos da Garça, Tigre, Dragão e outros).
Observa-se que eles caracterizam-se também por movimentos circulares, não sendo estes apenas lineares como nos demais estilos, o que os tornam únicos no caratê. Percebe-se que as defesas também são circulares e amplas, permitindo muitas aplicações variadas como “projeções, torções de articulações, chaves de braço, estrangulamento etc”. Por tudo isso, pode-se caracterizar os estilos como eficientes para combate em curta distância.
Estes dois estilos, na sua forma original, são nativos do antigo reino de Ryukyu, pelo que e não sofreram fortes influências do Japão, portanto não romperam com suas origens chinesas e tradições (não passaram por “modernizações” e ocidentalizações). Por seu turno, estilo goju caracteriza-se por bases firmes e centro de gravidade baixo, algumas estreitas e/ou curtas; pelo trabalho de tensão dinâmica com grande ênfase na respiração profunda e no trabalho do Ki, a energia interna; chutes básicos descendentes e ao nível gedan, isto é, direccionados para abaixo da linha de cintura, esses pontapés quando direccionados aos níveis superiores, jodan e chudan, são executados quase que exclusivamente por meio de saltos (tobi geri).
Os últimos ensinamentos de Chojun Miyagi:

Kata
• Sanchin
• Tachi Kata
• Fukyu Kata dai ichi
• Fukyu Kata dai ni
• Fukyu Kata dai san
• Gekisai dai ichi
• Gekisai dai ni
• Saifa
• Seyunchin
• Shisochin
• Sanseru
• Seipai
• Seisan
• Kururunfa
• Suparinpei
• Tensho

Wado-ryu

Wado-ryu significa caminho da paz e harmonia foi criado pelo Mestre,Hironori Otsuka graduou-se no estilo Shindo yoshin-ryu de jiu-jítsu, que começou a treinar ainda com a idade de treze anos, por volta de 1905. Esta escola tradicional (ou koryu), criada por Katsunosuke Matsuoka, é uma das ramificações do remoto estilo Yoshin-ryu. Matsuoka tinha estudado Jikishin kage-ryu kenjutsu, Hokushin itto-ryu kenjutsu e Tenjin shinyo-ryu jujutsu na academia Bakufu kobusho, que era a instituição oficial no período Edo.
O estilo Yoshin-ryu, por sua vez, fora criado pelo mestre Yoshitoki Akiyama nos idos da década de 1530, aparentemente depois de uma epifania enquanto meditava sobre a resistência da árvore de salgueiro debaixo duma nevasca. Durante sua evolução, o estilo teria sido ensinado ao mestre Matsuoka por Hirotuska Totsuka, que o utilizou para sua própria evolução e criação de seu estilo peculiar.
Seguindo a linhagem de ensino, Matsuoka tomou por discípulo Matakichi Inose, este a Tatsusaburo Nakayama, que foi mestre de Hironori Otsuka.
No ano de 1917, Otsuka conheceu Morihei Ueshiba, criador do Aikido, e logo se tornaram amigos.
Em 1921, Otsuka recebeu o grau de mestre de jujutsu. Um ano depois, tornou-se aluno do mestre Gishin Funakoshi.
Com dedicação aos treinamentos, logo galgou grau de mestre de caratê, mas como já tinha uma visão própria de como a arte marcial deveria evoluir, levou-se à cisão e à criação de um estilo particular, no qual as técnicas de tai sabaki, nage waza, ukemi waza e ne waza tivessem maior relevância, pois, segundo a observação de Otsuka, o currículo composto por inúmeros kihon, a despeito de aprimorar o condicionamento físico, não tinha muito emprego prático num embate real.
Por volta de 1929, Otsuka já tinha composto um currículo básico do futuro estilo, o qual era uma quimera baseada no seu estilo de jiu-jitsu e da variação do estilo Shotokan – ryu ensinado pelo mestre Funakoshi. O que deixa esse aspecto mais aparente são, por parte do jiu-jitsu, a tendência a uma luta mais fechada com o oponente e, por parte do caratê, o maior foco nas técnicas contundentes e a lista de kata (quinze).
Foram desenvolvidas sequências de luta combinada, ou yakussoku kumite, para o treinamento das técnicas e, no decorrer, o mestre Otsuka passou a treinamento livre de luta, jiu kumite e shiai kumite, com os alunos. Nessas sessões de luta, eram utilizados os coletes desenvolvidos para o treinamento de kendo, no fito de promover proteção aos praticantes.
Kata
Conforme o estilo, segundo sua filosofia, os movimentos e escopos dos katas tendem a variar. Em 1977, o sensei Otsuka declinou que, além do kihon-kata, em seu estilo havia apenas nove katas: os cinco da série Pinan, mais Kushanku, Naihanchi, Seishan e Chinto. E em seu livro do mesmo ano, foram dadas notas detalhadas de execução de cada um deles. Todavia, o mestre ensinava outros, mas sobre os quais não fornecia maiores explicações formais: Bassai, Rohai, Niseishi, Wanshu, Jion, e Jitte.

 

Estilos que a União Mundial das Federações de Karate-do (World Union of Karate-do Federations – WUKF) reconhece

Shorin-ryu

Shorin-ryu (é um estilo de Karate originário de Okinawa e de cujo desmembramento surgiram dos demais estilos de Karaté hoje praticados no mundo, como o Shotokan, o Goju-Ryu, o Shito-ryu e o Wado-ryu. Shorin é a pronúncia japonesa da palavra chinesa Shaolin, que quer dizer “Pequeno Bosque”, sendo assim, como Ryu significa Dragão, Shorin-ryu seria o “Estilo do Dragão Bosque”.
Nascido na vila de Akata Cho, Takahara viveu a maior parte da vida na cidade de Shuri, capital do Reino de Ryukyu, e foi o maior Mestre de Te (mão) à sua época. O Te era uma arte marcial nativa de Okinawa e cujo nome significava simplesmente “mão”, por ser uma forma de luta praticada sem armas.
Shorin-ryu é um estilo de uma arte marcial (o Karatê), ao que parece, sempre houve a consciência de que aquela arte havia sido trazida da China e que advinha do Kung Fu dos monges Shaolin, sendo assim, é muito provável que o Estilo praticado por Itosu já fosse chamado de Shorin-ryu mesmo em tempos anteriores a esse Mestre (como também se pode supor através da leitura de “Os Dez Preceitos do Karatê”).
De qualquer forma, como sempre ocorre com fatos históricos embasados na História Oral (uma vez que a escrita era muito pouco disseminada em Ryukyu), há discordâncias sobre esse tema e, embora alguns debatam sobre se Matsumura ou Itosu seria o fundador do Estilo, o único consenso que existe é que Chibana foi seu primeiro Grão-Mestre.
Com a morte de Itosu, seus discípulos se desentenderam acerca da sucessão do Mestre, mas coube a Chibana ocupar o título de Grão-Mestre do estilo. Muitos vêem neste ato a criação do Shorin-ryu, enquanto outros apenas veem a consolidação de sua existência já então muito antiga. Seja como for, Tokuda e Motobu mantiveram-se fiéis ao estilo que aprenderam com seu Mestre e, embora não aceitassem plenamente a autoridade de Chibana, não ousaram criar dissidências. Funakoshi, contudo, tentou fazer o que seu Mestre não havia conseguido: levar o Karatê para o Japão.
Tecnicamente, com a anexação de Ryukyu, o Karate já era uma arte marcial japonesa, mas a verdade é que ele era quase desconhecido (e visto com maus olhos) no arquipélago principal; assim como tudo o que vinha de Okinawa que, até hoje, é a prefeitura mais pobre e negligenciada do Japão.
Para levar o Karate ao arquipélago principal, Funakoshi dedicou-se a alterá-lo a fim de contornar a intolerância japonesa para com os costumes e ideias de origem chinesa. Assim, alterou nomes (traduzindo todas as palavras chinesas para o japonês; diz-se, inclusive, que o próprio nome Karate seria uma niponização de Tang Te, usado até então, sendo que o som das duas expressões é muito semelhante e Funakoshi teria passado a escrever Karate também a fim de nipozar a arte marcial) e algumas bases, de modo a criar diferenças sutis, mas suficientes para tornar a arte marcial palatável aos japonses. Fundou então um dojo, ao qual deu (ou, segundo outra versão da história, seus alunos deram) o nome de Shotokan, literalmente, “Escola do Shoto”, sendo que Shoto (Vento nos Pinheiros) era seu apelido. Até mesmo o uniforme de treino do Karate foi niponizado, uma vez que o primeiro Karate-Gi utilizado por Funakoshi era, na verdade, um Judo-Gi, ou seja, um kimono de Judo.
Enquanto Funakoshi fazia progressos na inserção do Karate no Japão, Chibana enfrentava dificuldades na manutenção da unidade do Estilo Shorin-Ryu.
Após a morte de Choshin Chibana, muitos de seus alunos não aceitaram a escolha de Katsuya Miyahira como novo Grão-Mestre do Estilo Shorin-Ryu. Essa atitude precipitou a criação de diversas escolas dentro do Estilo.
Na prática, uma escola não é um estilo separado por manter raízes históricas unidas com as demais de seu estilo, bem como por manter em sua gama de Katas ensinados os Katas de seu estilo matriz. Contudo, a criação de uma escola equivale à dissenção de uma linha de pensamento, o que acaba sendo o primeiro passo para o surgimento de um estilo próprio. De fato, é possível que as muitas escolas do estilo Shorin-Ryu hoje existentes só se mantenham a ele vinculadas porque esse é um dos estilos mais tradicionais do Karate e acaba sendo preferível a muitos mestres serem os líderes de uma escola desconhecida dentro de um estilo importante do que serem os líderes de um estilo desconhecido.
Seja como for, o estilo Shorin-Ryu se divide hoje em sete escolas, cada uma delas comandada por um Hanshi (ver mais abaixo).
Kata
1. Naihanchi shodan
2. Fukyugata dai ichi
3. Naihanchi nidan
4. Naihanchi sandan
5. Fukyugata dai ni
6. Pinan shodan
7. Pinan nidan
8. Pinan sandan
9. Pinan yondan
10. Pinan godan
11. Itosu no Passai
12. Kusanku sho
13. Matsumura no Passai
14. Kusanku dai
15. Chinto
16. Jion
17. Gojushiho
18. Teesho
19. Koryu Passai
20. Unshu
21. Ryuko

Atualmente a WKF (World Karate Federation) reconhece e aceita a execução de kata de qualquer estilo de Karate, inclusive de Shorin-ryu. Mas nem sempre foi assim: até o final de 2012, esta entidade considerava como “oficiais” apenas quatro estilos de Karate: Goju-ryu, Shito-ryu, Shotokan e Wado-ryu. Esses quatro eram considerados estilos de Karate tradicional japonês e, apesar de o Shorin-ryu ser mais antigo do que três deles (além de existir décadas antes do Wado-ryu, deu origem diretamente ao Shotokan e, em combinação com o Goju-ryu, originou o Shito-ryu), não entrava nesse rol porque nunca foi aceito no arquipélago principal do Japão, sendo considerado pelos japoneses como um estilo de Karate de Okinawa.
Uechi-ryu é um estilo de Karate. Seu fundador é sensei Kanbun Uechi (1877-1948), depois que este viajou até a China e de estudado o estilo pangainun, de wushu.
Quando contava a idade de vinte anos, o jovem Kanbun Uechi empreendeu viagem até a cidade de Fucheu, na China, com o fito de lá aprender as técnicas das modalidades de luta que naquela famosa região praticavam-se. Em Fucheu, Uechi permanceu a estudar por dez anos um estilo que chamou de Pangainun[a], de chuan fa, sob os auspícios do mestre/monge Shushiwa ou Chou Tzu Ho, com quem tinha estabelecido amizade. O referido estilo era, sob certos aspectos, muito assemelhado ao praticado em Oquinaua por Kanryo Higaonna. Após esse período, Uechi instalou sua própria escola do estilo na província de Nanjing, onde ficou por dois anos.
Ao contrário do que sucedeu com os estilos de karatê modernos, o estilo não foi influenciado por Sokon Matsumura ou Kanryo Higashionna. Ainda assim, é considerado uma forma evoluída diretamente do naha-te, devido à origem e influências similares.
Após a morte do fundador, alguns dos mais graduados alunos reuniram-se e formaram um outra escola, formalmente ainda conhecida como Uechi-ryu, mas que é nomidada de Shohei-ryu.
O Uechi-Ryu não se baseia apenas em um estilo de Karatê, durante os treinos os “Sensei” costumam a ajudar seus aprendizes fazendo-os pensar sobre temas que compõe a sociedade, fazendo-os pensar sobre aquilo que os cercam e sobre o que querem para a própria vida. A repetição constante dos temas sobre a sociedade também é uma forma de fazê-los pensar sobre o que compõe o estilo e suas próprias filosofias de vida.
Kata
1º Sanchin.
2º Seisan.
3º Sanseyru
4º Kanchin.
5º Kanshiwa.
6º Kanshu.
7º Seichin.
8º Seirui.

Kyokushin
Kyokushin o o criador do estilo é o grão mestre Sosai Oyama, utilizava este como pseudonimo e o original éra Choi Yong Eui nasceu na Coreia em 1923, é um estilo de Karate criado por um não Japones.
Em sua terra natal, Yeong Eui descobriu cedo as artes marciais locais, principalmente o tae-kyon e o tae-kwon-pup, raízes do tae-kwon-do. Ainda em seu país, Oyama estudou também diferentes formas do kenpo chinês e japonês. Nessa época, o principal modelo de Oyama era Otto von Bismarck, unificador da Alemanha. “Queria ser o ‘Bismarck do Oriente’. Então, saí de casa aos 13 anos e fui para Tóquio”.
Na capital japonesa, Oyama praticou inicialmente o judô. Em 1938, matriculou-se na escola de karate shotokan. “Pratiquei o shotokan, mas já duvidava de sua abordagem linear. Não gostava da ideia de controlar minhas técnicas. Era rígido demais para mim, então saí”. Oyama deixou o dojo shotokan dois anos depois. Passou a dedicar-se, então, ao goju-ryu e ao estudo Zen.
“No karate, o espírito conta mais que a técnica ou a força. É ele que permite ao indivíduo se mover e agir em plena liberdade. Para fortalecer o espírito, a meditação Zen é muito importante. Através dela, podemos vencer a emoção e o pensamento. O homem que quer seguir a via do karate não pode negligenciar o Zen e o aperfeiçoamento espiritual”.
Na opinião dele, os golpes deveriam ser reais, pois só assim cada praticante saberia seu verdadeiro potencial. Oyama criou, então, uma nova forma de luta, acrescentando o contato no Karate.
É um estilo de karate dinâmico, baseado nos princípios do “bushido” (caminho do guerreiro), priorizando conceitos ancestrais como ser rigoroso consigo mesmo, ser compreensivo com seus semelhantes, venerar seus pais e ser fiel à pátria. Em 1948, Oyama se impôs um exílio voluntário de 18 meses, no monte Kiyosumi (Japão). “Todos que se dedicam a uma causa devem passar por um período de isolamento. Meu treinamento cotidiano começava bem cedo, com uma sessão de purificação espiritual sob as águas geladas de uma cascata. Depois, eu voltava correndo à minha humilde moradia para continuar o treino. Mudava pedras e troncos de árvores de lugar, mergulhava nas torrentes geladas. E terminava o treino matinal com nova sessão de meditação. A tarde era dedicada à prática do karate. Instalei makiwaras nos troncos das árvores e os golpeava durante várias horas, com os punhos e com os pés. Exercitava também o quebramento até que o estado de minhas mãos me impedisse de continuar”.
Na medida em que Oyama tomava consciência de sua força, um projeto começou a germinar em seu espírito: o de realizar uma façanha fora do comum, que provasse a superioridade do karate sobre todas as outras formas de combate a mãos nuas. Decidiu repetir o feito de certos praticantes de kenpo de Okinawa e abater touros.
Ainda restava um desafio a ser vencido. Oyama decidiu reviver, no Karate Kyokushin, uma antiga prova praticada nas escolas de kendo e judô: os cem combates.
Oyama foi além. Lutou por três dias consecutivos. Cem combates a cada dia. Oyama saiu seriamente ferido de uma das provas, mas venceu todas elas.
Entre 1952 e 1954, a convite da US Professional Wrestling Association, Oyama fez mais de 200 demonstrações pelos Estados Unidos e aceitou numerosos desafios contra lutadores e pugilistas.
“Na verdade, não tinha vontade de partir nessa turnê. Desgostava-me aceitar dinheiro por demonstração de Budo, mas era preciso viver. Ofereciam-me 100 dólares por semana e todas as despesas pagas. Para o pós-guerra, no Japão, era uma fortuna. Eu era muito forte nesse tempo. Poderia ser campeão de atletismo, mas tudo que me interessava era o karate”.
Em 1954, Oyama retornou ao Japão onde fundou o primeiro “Oyama Dojo”.
A organização Kyokushin-Kai foi fundada três anos mais tarde, em 1957. Oyama preferiu deixá-la à margem das outras organizações japonesas de karate, pois não apreciava o business-karate e os constantes desentendimentos da Japan Karate Association. Pagou um alto preço por isso.
“Queria realizar o primeiro campeonato mundial no salão de artes marciais (Budo-kan), em Tóquio. Era o único imóvel capaz de acomodar mais de 10 mil espectadores. Entretanto, notificaram-me que o Budo-kan não seria alugado para mim, pois achavam que o Kyokushin não era um karate legítimo. Porém, mais tarde, verifiquei que um poderoso dirigente de outra associação de karate estava por trás do incidente. Alguns anos antes, ele havia me oferecido uma grande ajuda financeira se eu concordasse em filiar o Kyokushin à sua organização, mas eu recusei”.
O estilo Kyokushin, segundo quer dizer seu nome, busca a verdade e a realidade. Fundamentado em técnicas compactas e eficazes visa nocautear o indivíduo com um único golpe (Ichigeki), aplicado com força espetacular. Através deles, atraem ondas de dinamismo e criam vagalhões de potência.
Também tem como intuito tonificar os músculos, melhorar a resistência aeróbica, a flexibilidade, postura e controle emocional.
A sua filosofia, baseada no budo, o código ético dos guerreiros japoneses, tem por princípio a disciplina rígida dos seus próprios atos, na compreensão dos limites alheios, no respeito aos pais e superiores e na fidelidade aos seus ideais.
Os combates tendem a resolver-se por nocaute. As provas de quebramento e resistência querem desenvolver a força de vontade. Kihon e kata são peças importantes, permitindo a cada um progredir na arte marcial. O estilo pretende ser mais do que uma arte de combate, mas uma escola dotada de uma fabulosa riqueza técnica, onde a humildade é rigorosa, onde o respeito por si próprio se adquire no respeito do próximo, onde o mental se consegue com a disciplina e com o rigor necessário nos treinos.

 

Kata :
1º Taikyoku sono ichi
2º Taikyoku sono ni
3º Taikyoku sono san
4º Sokugui Taikyoku sono ichi
5º Sokugui Taikyoku sono ni
6º Sokugui Taikyoku sono san
7º Pinan sono ichi, Pinan sono ni
8º Pinan sono san
9º Pinan sono yon
10º Pinan sono go
11º Yansu
12º Tsuki no kata
13º Tekki sono iti
14º Sanchin
15º Gekisai dai
16º Gekisai sho
17º Tensho, Saifa
18º Seienchin, Garyu, Seipai

 

Fontes :

http://www.travinha.com.br/lutas-e-artes-marciais/77-karate/139-karate-os-estilos

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estilos_de_carat%C3%AA

https://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Estilos_de_carat%C3%AA

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