Muay Thai da Tailândia ao Ocidente

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Muay Thai é uma arte marcial nacional da originaria da Tailândia, considerado um desporto nacional. Esse esporte inclui socos e chutes, conhecida também como a arte das oito armas. Conhecida pelo uso combinado de punhos, cotovelos, joelhos, canelas e pés.

Assemelhando-se a outras artes marciais como o pradal serey do Camboja, o tomoi da Malásia, o lethwei da Birmânia e o muay lao de Laos, o muay thai foi desenvolvido há cerca de dois mil anos, sendo atualmente considerada uma das mais poderosas lutas de contato do mundo, que para além de utilizar elaboradas técnicas de punhos e pernas, é encarada como uma das artes marciais que mais faz uso eficiente dos joelhos e cotovelos. O muay thai tornou-se popular no século XVI, contudo começou a ser internacionalmente difundido apenas no século XX, quando inúmeros lutadores tailandeses conquistaram diversas vitórias sobre representantes de outras artes marciais.

O desporto de muay thai é exclusivamente regido pela Federação Mundial de Muay Thai (WMF) e pelo Conselho Mundial de Muay Thai (WMC).

Requestando a legitimidade internacional e um público mais amplo, contudo prejudicado por disputas internas, o muay thai tem desenvolvido várias concorrentes de órgãos sociais, profissionais e amadores, para a sanção de lutas e campeonatos. Embora politicamente hostis, todos os corpos de sanção compartilham o objetivo de reforçar a participação internacional do muay thai, mantendo a sua identidade cultural e reafirmando a Tailândia como seu criador cultural.

Hoje em dia o muay thai ter-se-á convertido num símbolo nacional do reino da Tailândia, sendo o desporto mais praticado no país. As suas raízes encontram-se no muay boran, uma arte ancestral que foi desenvolvida a partir de uma forma de luta designada de chupasart. Esta arte deu origem ao atual muay thai e ao krabi krabong. Atualmente, o muay thai é visto como sendo um desporto radical que favorece a realização de apostas com ênfase no sudeste asiático.

Inicialmente, o muay thai era bastante semelhante ao kung fu chinês (wushu), um facto normal tendo em conta a origem do povo tailandês. O antigo muay thai utilizava-se de golpes com as palmas das mãos, ataques com as pontas dos dedos, imobilizações incluindo o uso de mãos em garra para imobilizar o oponente. Ao longo dos tempos, esta arte marcial foi-se modificando, tornando-se no estilo de luta que é hoje.

Devido ao elevado grau de lesões que ocorriam entre os lutadores, após o ano de 1920, algumas regras do boxe inglês foram adaptadas ao muay thai. Entre elas podem ser referidas as divisões por peso, o uso de luvas, a inclusão dos rounds, assim como o envolvimento de um árbitro central juntamente com os juízes laterais. Entretanto, algumas particularidades do ancestral boxe tailandês permaneceram, como por exemplo a participação de um conjunto musical com antigos instrumentos que tocam a conhecida música sarama. Transmitindo ritmo ao combate, dependendo contudo da impetuosidade deste, os músicos aceleram ou diminuem o ritmo da sua música conforme a eficácia dos lutadores. Este conjunto é constituído por três tipos de tambores, címbalos e flautas (Pi Java).

Outra tradição mantida é o uso do wai kru, uma dança ritualista com o propósito de homenagear o treinador, os seus pais, a sua escola de muay thai, os antigos lutadores do seu ginásio e os professores do mesmo. Outra tradição que é mantida nesta antiga arte marcial é o uso do mongkon e da praciat. O mongkon refere-se uma faixa aplicada na cabeça dos lutadores por forma a protegê-los antes da luta sendo retirada posteriormente ao ritual do wai Kru. A praciat é uma corda trançada que é colocada em um ou nos dois braços do lutador também com o objetivo de o proteger. A graduação não é distinguida por nenhum destes acessórios como é frequentemente considerado. As suas cores estão relacionadas com as preferências do lutador ou do treinador e não com a graduação do atleta. A praciat não é retirada após o wai kru, como o mongkon, ela permanece com o lutador durante todo o confronto.

Wai kru

O wai kru também designado de khuen kru refere-se a uma cerimónia que tem como objetivo homenagear o mestre. Todos os anos é feita uma homenagem ao mestre do respetivo campo, a que se denomina yohk kru. Contudo, sempre que os pupilos queiram usar o conhecimento que lhes foi ensinado, começam por mostrar o seu respeito homenageando o seu mestre com uma dança previamente desenvolvida, que antecede o combate. Assim, o wai kru consiste numa primeira parte da dança, durante a qual o lutador percorre o ringue caminhando ao longo do perímetro circunscrito pelas cordas. Este atua com uma pausa em cada um dos cantos, rezando uma pequena oração. O ato de percorrer o ringue apresenta como simbolismo o delimitar o mesmo, conjurando infortúnios e protegendo o lutador durante todo o confronto.[30] Seguidamente, o atleta dirige-se ao centro do ringue, ajoelhando-se voltado para o seu campo de treino. Pausadamente, une as suas luvas em frente da sua face, começando a inclinar-se enquanto reza pequenas orações budistas. Este conjunto de movimentos é repetido por três vezes, prestando homenagem a três entidades divinas. Durante estas preces o lutador dignifica Buda, a Sangha (ordem dos monges) e o Darma (os ensinamentos de Buda). Simultaneamente, o atleta dá graças ao seu mestre, ao seu campo e aos seus antepassados do muay thai. Quanto à etimologia do nome, wai significa “retribuir respeito” enquanto que kru significa “professor”; conjugando, obtém-se acepção de “retribuir respeito ao professor”.

Saudação

Depois de completos os rituais wai kru e ram muay, tanto o lutador como o seu mestre realizam uma saudação. Comum entre os praticantes da religião budista, esta saudação é efectuada com as mãos juntas à frente do rosto, seguindo-se uma pequena flexão frontal com a cabeça e tronco. As mãos devem estar posicionadas mais à frente dependendo da importância da pessoa que se cumprimenta. Esta saudação realiza-se em todas as ocasiões de encontro, pronunciando-se as palavras sawadee krap (ou kaa) kru muay. Por sua vez, aquando a saudação feminina, são proferidas as palavras sawadee kaa como cumprimento feminino.

Mongkon

O mongkon refere-se a uma coroa usada pelos lutadores quando entram no ringue. Este objecto sagrado é tradicionalmente benzido em sete mosteiros budistas, sendo colocado na cabeça do lutador antes do mesmo entrar no ringue de combate e, naturalmente, de serem executados os rituais wai kru e ram muay. O mongkon pertence ao mestre e ao campo de treino do lutador. Todos os atletas de determinado campo utilizam o mesmo mongkon.  Este é colocado na cabeça do lutador antes do mesmo se deslocar para o ringue, precedido de uma breve oração, que se acredita que protegerá o lutador de graves lesões, sendo que expulsará os espíritos negativos da área de combate. Por fim, o sagrado objecto é removido do lutador quando este termina uma série de movimentos sequenciais que completam o wai kru e o ram muay. A colocação e remoção do mongkon é executada, geralmente, pelo treinador do ginásio, contudo pode também ser efectuada pelo pai do lutador ou alguém bastante próximo do mesmo. O mongkon é único para cada campo. Este objeto purificado permite que, através da sua posição e formato, seja possível distinguir o respectivo local da Tailândia de onde o atleta é proveniente. No passado, caso a parte de trás do mongkon estivesse apontada para cima, significava que o lutador era originário do norte da Tailândia. Uma vez que a parte de trás estivesse apontada para baixo, então o mesmo pertencia ao sul do país. Adicionalmente, se a extremidade posterior estivesse apontada para trás, então o atleta pertencia à zona centro da Tailândia.  Outrora, os lutadores estavam deveras interditos de transportar ou colocar em si mesmos este objeto. Contudo, é hoje comum que o mongkon seja já segurado pelos atletas, sobretudo no ocidente. Como peça sagrada, e de acordo com as tradições budistas, o mongkon é sempre guardado acima da cabeça de todos na sua presença e nunca é suposto que o mesmo toque o solo.

Paprachiat

O paprachiat também conhecido por prajied ou kruang ruang refere-se a uma corda trançada colocada no braço do lutador. Ao contrário do mongkon este é um objeto pessoal. O amuleto sagrado é oferecido ao lutador antes de este iniciar a sua carreira no campo de treino durante o seu período de formação espiritual que deve ocorrer por um tempo de aproximadamente seis meses num mosteiro. Ao longo da cerimónia final no mosteiro, o amuleto é benzido pelos monges, transformando-se num importante talismã. Ao longo do tempo, e principalmente em regiões fora da Tailândia, estes formalismos foram-se perdendo, no entanto outros ainda se mantém. O kruang ruang é consumado a partir de tecido proveniente de roupas sagradas de um monge, assim como de roupas de um membro da família do lutador. Este pode usar o kruang ruang em apenas um dos braços, evidenciando qual dos seus braços é o mais forte. Porém, alguns estádios exigem que o objecto deva ser utilizado em ambos os braços, como é exemplo o estádio Lumpinee. Tal como no mongkon, acredita-se que o amuleto providência sorte, protegendo o lutador durante o combate.[

Phuang malai

Também dentro das tradições está presente o phuang malai, uma grinalda de flores que é colocada no pescoço do lutador. O phuang malai é oferecido pelos colegas ao lutador como forma de amuleto e desejo de sorte. Estas flores, normalmente de jasmim, são firmadas entre si, formando uma gargantilha suficientemente grande para que o lutador a possa usar à volta do seu pescoço. Na tradição budista, as flores simbolizam a vida, a morte e a volatilidade da existência.[30] O phuang malai não é oriundo do muay thai, tal como o mongkon e o kruang ruang, este foi incorporado no desporto por influência da cultura tailandesa, no entanto, é frequente o lutador transportar o phuang malai para dentro do ringue, onde é retirado depois das danças cerimoniais e antes do combate.

 

Música tradicional do muay thai

A música de muay thai, designada de sarama é uma característica única desta arte marcial, sendo tocada antes e durante toda a sessão de combate. Apesar do muay thai ter vindo a sofrer um constante desenvolvimento desde o seu surgimento até à actualidade, a música empregue desde há centenas de anos atrás prevaleceu inalterada até aos dias de hoje. A utilização da flauta e acompanhamento musical de percussão durante o combate, é considerada uma particularidade do muay thai. No espaço de tempo em que decorre a dança é frequentemente utilizado um gravador (cassete, CD) para transmissão da música, no entanto durante o confronto físico tornou-se imprescindível a música ao vivo.  Enquanto decorrem os rituais preparatórios para o combate do lutador, o ritmo da música aumenta e diminui, como modo de encorajamento dos lutadores. Mais lenta para o ram muay e wai khru e mais impetuosa no decorrer do combate, esta música é interpretada ao vivo por um grupo de quatro músicos, em que cada um toca um instrumento particular. Estes instrumentos são empregues na realização da música para o muay thai designadamente a Pi Java, um clarinete, o qual é fundamental para a melodia; um par de tambores designado de klog kaak; ching que se trata de pequenos pratos em ferro, bronze ou latão; e outro tipo de tambor originário do sul da Tailândia, denominado de mong kong.

 

Sistema de graduação no ocidente

No ocidente, devido à necessidade cultural de graduar e avaliar alunos, algumas federações e alguns mestres criam sistemas de graduação para as respetivas circunstâncias. Estes sistemas são muito utilizados na Europa, principalmente nos países como a Inglaterra e França. O mais usual consiste na faixa de braço (prajiad) com a cor correspondente ao nível do aluno segundo a avaliação do mestre ou federação.  As cores variam de federação para federação ou de mestre para mestre. Uma coisa que definitivamente o muay thai não usa em nenhum país do mundo são as faixas na cintura enquanto sistema de graduação. Com a expansão do muay thai pelo mundo, foi criado um sistema de graduações que tem como critério a evolução do praticante dentro desta arte marcial. A graduação simbolizada pelo prajiad resume-se a uma espécie de tarja colocada nos dois ou apenas no braço direito do praticante (bícep) com a respectiva cor do sistema de classificação.

Existem quinze tipos de prajiad divergentes na cor, empregues de acordo com o grau de habilidade e tempo de prática do adepto desta arte marcial. O seguinte sistema de graduação rege-se segundo a Liga Brasileira de Muay Thai Tradicional (LBMTT). No entanto, a relação das cores abaixo referidas pode variar levemente dependendo da região ou federação.

Participação feminina

Outrora, as mulheres eram estritamente proibidas de tocar ou até de se aproximarem de um ringue de muay thai. O mito de que a presença da mulher em áreas de luta acarreariam azar aos atletas assim como aos espectadores que presenciassem o mesmo combate, era rigorosamente considerado. Atualmente existem alguns locais no oriente onde a presença das mulheres num confronto entre lutadores do referente estilo, continua a ser um tema a desconceituar.[  Na Tailândia e em alguns outros países é frequentemente estabelecida a tradicional regra que normaliza o fato de que os homens não podem treinar ou lutar nos ringues das mulheres e vice-versa. Outro aspeto que de distinto modo posiciona a mulher numa apreciação divergente do homem refere que as mulheres devem entrar no ringue entre as cordas do meio ou pelas cordas de baixo. A mulher está, portanto, condicionada à proibição de entrar no ringue por cima das cordas assim como fazem os lutadores do sexo masculino. Apesar desta regra tradicional do seu país de origem, este costume tem vindo progressivamente a ser desconsiderado, uma vez que um grande número de países tem permitido cada vez mais que as mulheres tenham a oportunidade de competir ao nível de regras e espaço equitativo ao dos homens. É comum hoje em dia, a publicidade associar a beleza da mulher aos seus produtos, uma vez que é de vulgar conhecimento os benefícios físicos que podem ser adquiridos através da prática constante do muay thai entre as mulheres.

Fonte : https://pt.wikipedia.org/wiki/Muay_thai

W.M.F. Non – Profit Sports Federation