ORIGAMI 折紙

Assim como a arte marcial, o chá, a pólvora, entre outros, o papel também foi introduzido ao Ocidente pelo Oriente. Surgindo assim, várias formas de se usar o papel, dentre as quaia, a mais conhecida é a antiga arte do 折紙 Origami.

 

Não se conhece nenhum registro histórico oficial sobre a origem da arte de dobrar papel. O mais provável é que, o trabalho com essa importante invenção que foi o papel, tenha nascido no seu país de origem, a China.

HitogataO papel foi criado no séc. II a.C., e mais tarde, levado pelos árabes para o Egito e depois para a Europa. O papel era associado com o sagrado e possivelmente chegou ao Japão (segundo alguns especialistas) da China pela Coréia no quinto século. Ganhou um lugar importante nos rituais religiosos dos antigos templos Shintoistas, como ornamentações de papel, conhecido como 形代  Katashiro que, inicialmente, eram papeis especiais do santuário cortado e usado em rituais de purificação ou para simbolizar as divindades. Também chamado 人型 Hitogata, eram feitos originalmente de madeira ou metal, porém, as formas de papel começaram a aparecer durante o período de 鎌倉 Kamakura (1192–1333).

Até mesmo, antes daquela introdução, as matérias-primas como o papel-linho e fibra de amora eram oferecidos em rituais.

Algumas destas formas podiam alcançar a altura de uma pessoa. Eram usados gozupara transferir os espíritos maléficos e as doenças das pessoas. Tipicamente, estes rituais de purificação eram aplicados no terceiro dia do terceiro mês. Bonecas de papel dobrado, conhecidas como 雛 Hina, evoluíram a partir do Katashiro. Estas bonecas foram construídas com papel decorado dobrado e com a cabeça de madeira, tais figuras representavam as roupas da corte. Elas foram exibidas no mesmo dia do ritual de purificação, que evoluiu eventualmente no atual 雛祭り Hina Matsuri (Festival das bonecas).

O papel cortado foi levado por pessoas para repelir qualquer espírito mau em suas viagens. Cortes de papel com escritura especial, conhecido como 護符 Gofu ou 呪符 Jufu, também eram levados para repelir maus espíritos. Outro exemplo desses cortes e dobras de papel, é o 御幣 Gohei ou 紙垂 Shide (papel dobrado e pendurado no 標縄 Shimenawa).

shimenawaO Shimenawa é uma corda feita de palha trançada de forma especial (da direita para esquerda), usada para delinear o sagrado do profano e o Shide é usado para atrair bons espíritos para o local. Casas e santuários usam o Shimenawa para definir a área como lugares sagrados. O Gohei também é o nome para uma vara de papel dobrado, que monges Shintoístas ou 巫女 Miko (atendentes de santuário feminino) usam em rituais de purificação.

O Origami como uma forma de entretenimento somente existiu depois do período 平安 Heian (794–1192). E foi nesse período que a produção de papel se expandiu. Como forma dobrada, começou durante o período de 室町 Muromachi (1392–1573). Foi uma época de grande aumento no comércio com a China e muitas artes foram assimiladas por esta onda nova de influência.

Foram desenvolvidas novas formas de Origami, como o 水引Mizuhiki (formas decorativas feito de fios de papel para decorar embrulhos de presente), o 熨斗 Noshi (um ornamento colocado sobre o embrulho de presente, significando que deseja muita fortuna para a pessoa presenteada). Também, são dobrados 熨斗袋 Noshibukuro (saquinho feito com papel dobrado, na qual são colocado dinheiro para as crianças no Ano novo). Como vimos, a natureza do Origami era muito importante na etiqueta formal de presentear.

O Origami também se tornou parte dos modos do Samurai que estava incorporado em escolas de conduta.

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O termo Origami é bastante recente, começou a ser usado no período de  昭和 Showa (1926). Antes, eram usados nomes como 折据  Orisue ou 折り方 Oritaka, de acordo com textos do período 江戸 Edo (1603–1867). Com o passar do tempo, a arte de dobrar papel, que hoje é conhecido como 折紙 Origami, logo deixou de ser unicamente símbolos religiosos, passando a se infiltrar no cotidiano nipônico, onde ganhou mais criatividade, tornando-se belos enfeites para casa, embrulho, ornamentos para as garrafas de 酒 Sake, etc. Também ganhou várias formas para o entretenimento infantil como: barcos, chapéus, bonecos, animais, etc.

 

Dentre as formas mais conhecidas, destaca-se a figura do 鶴 Tsuru (forma de pássaro), que se transformou no símbolo do Origami. O Tsuru era oferecido nos templos e altares juntamente com orações, para pedir proteção. Atualmente, nas festas de Ano Novo, casamento, nascimento e comemorações em geral, a figura do Tsuru está presente nos enfeites e embalagens simbolizando saúde, fortuna e longevidade.

Entre as técnicas de manipulação do papel, existem o 切紙 Kirigami (papel com corte) e 組紙 Kumigami (papel em conjunto).

Acredita-se que em outros países europeus, como por exemplo, Portugal e Espanha, a arte de dobrar papel foi desenvolvida independentemente. Também não existe nenhum registro comprovando tal fato.

Dobrar papéis, criando formas e figuras pode ser um meio de compreender melhor a vida, tanto para crianças, quanto para adultos. Existem diversas confusões a respeito de dobraduras, colagem, recortes e Origami. O Origami é a arte de dobrar papéis. Origami é uma palavra japonesa composta do verbo dobrar (折 Oru) e do substantivo papel (紙 Kami), formando o termo Origami que, literalmente significa “dobradura de papel”. Em alguns minutos, pode-se dobrar uma flor, um bicho, um cubo, um pássaro que bate asas, uma catapulta, um avião… uma infinidade de coisas.

Como foi relatado no começo desse texto, há diversas qualidades de Origami, por exemplo, Kirigami ou arquitetônico (com uso de cortes), Kumigami ou modular (composto de várias peças) ou tradicional (dobradura de qualquer papel capaz de ser dobrado, quase sem o uso de recortes). Sua prática não exige quaisquer formas de instrumento, com exceção das próprias mãos e, sua matéria-prima é somente o papel.

Cientistas, terapeutas, matemáticos, pedagogos, físicos e artistas estudaram extensivamente a geometria e a matemática no origami, para citar alguns:

 

O matemático italiano-japonês 文章藤田  Fumiaki Fujita formulou uma lista de axiomas para definir geometricamente o Origami.

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O físico 淳前川 Jun Maekawa descobriu alguns teoremas fundamentais sobre Origami e os usou para projetar modelos de Origami de elegância surpreendente.

 

 

 

O matemático 敏和川崎 Toshikazu Kawasaki tem vários teoremas de Origami com seu nome e generalizou alguns deles, até mesmo para descrever dobra de papel em dimensões mais altas.

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O cientista americano Robert Lang da Califórnia, desenvolveu um modo engenhoso de algoritimizar o processo dos projetos de Origami, usando um computador para o ajudá-lo a inventar modelos de complexidade impressionante.

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O pedagogo 修三藤本 Shuzo Fujimoto e a artista Chris Palmer desenvolveram Ori

gami em formas de Mosaicos. E, muitos professores colocaram em desenvolvimento o uso do Origami para ensinar conceitos em matemática, química, física e arquitetura.

 

 

 

Muitos dos leitores, enquanto lêem este texto, se lembrarão dos aviõezinhos que costumavam dobrar na infância ou, que simplesmente viam planando através do ar. Aqueles eram momentos de pura diversão. O mais interessante é que você pode continuar dobrando aviões de papel quando adulto e ser chamado de cientista! Pois a verdade é que aquelas dobras aparentemente simples escondem princípios aerodinâmi

cos e físicos em geral bastante complexos.

Modelos para a aerodinâmica de aviões e teoremas matemáticos são algumas das contribuições oferecidas por essa “Arte”. Particularmente, eu já ficaria contente se o Origami fosse popular apenas entre

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as crianças, pois é um brinquedo extremamente sofisticado: desenvolve a lateralidade, inteligência visual, motora, matemática, geometria, concentração. Desenvolve ainda o tato, a percepção estética, a sensibilidade artística, além de ser extremamente relaxante.

Para as pessoas agitadas e impacientes, observamos que, embora o Origami não seja nenhum

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videogame, é uma atividade extremamente gratificante, pois podemos criar de pequenos brinquedos de papel a verdadeiras esculturas, com as próprias mãos e, é acessível para qualquer pessoa. Além disso, é suficiente para esquecermos os problemas, o que por si só, já reduz a agitação e a impaciência próprias de uma sociedade estressante.

Essas dobras ganham formas como num passe de mágica, semelhante às moléculas e átomos que compõem a matéria. Ao dividirmos uma folha de papel em linhas equilibradas e simétricas, observamos

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formas harmoniosas como tudo que há na natureza. É a magia da transformação da vida, o que um dia já foi semente, germinou, cresceu e se transformou em árvore, agora é papel que utilizamos nas dobraduras, e que novamente se transformará em uma forma, quem sabe uma árvore.

Notamos que o emprego do Origami não só nos dá grande satisfação e alegria, mas também influencia as nossas funções mentais: o trabalho coordenado de ambas as mãos, o trabalho ativo da inteligência, atenção, memória, imaginação, pensar é necessário para desenvolvimento e emprego do Origami.

Como em qualquer trabalho onde ambas as mãos são ativamente usadas, há uma massagem natural da ponta dos dedos que, salutarmente exerce um efeito no equilíbrio dinâmico nos processos de excitação e bloqueio em áreas corticais do cérebro. O uso dinâmico de ambas as mãos promove atividade crescente do hemisfério direito e esquerdo (lateralidade). Ativando e revendo as oportunidades do hemisfério direito e esquerdo na idade infantil (quando o cérebro é mais flexível) ajuda a criança a desenvolver, usando mais a totalidade dos recursos da mentalidade.

Educadores como Piaget, Rousseau, Froebel e Dewey, insistiram na importância dos jogos na aprendizagem. Todas as atividades que a criança inventa, ou pelas quais se interessa, são verdadeiros estímulos para aprimorar suas habilidades de discriminação e memória auditiva e visual, imaginação, coordenação motora fina, de atenção e concentração, de análise e síntese, equilíbrio e de socialização.

De fato o famoso educador alemão e criador do sistema de “Jardim de Infância”,  Friedrich Froebel (1782-1852) usou sabiamente do Origami para familiarizar as crianças com as formas geométricas.

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Uma grande vantagem da manipulação do papel é permitir que a criança canalize parte de sua agressividade.

Para Piaget, brincar de “faz-de-conta”, tem funções específicas, como levar a criança a compreender e assimilar o mundo real. Cada vez que utilizarmos o “faz-de-conta” na manipulação do papel, estaremos estimulando a criança a melhorar sua expressão e comunicação, contribuindo na busca de sua identidade, no equilíbrio de suas emoções, no desenvolvimento de seus sentimentos e no aprimoramento de sua percepção. Corresponde a um trabalho que catalisa todas as funções que a criança necessita desenvolver para tornar-se um adulto bem equilibrado, trabalhando com o pensamento, a sensação, o sentimento e a intuição.

Infelizmente, em alguns paises, como o Brasil, o Origami ainda é visto como uma atividade apenas infantil e sem propósitos, são poucos os pedagogos e professores que incluim o Origami como uma atividade artística aos seus alunos.

 

Abaixo segue algumas peças de exposição feitas por mim:

 

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TRex_2

 

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Segue algumas das maravilhosas obras de grandes mestres do Origami, que por si só, expressam essa maravilhosa arte:

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Frog

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Mushi

Cat-rat

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Trex

Butterfly

Dogs

tarantula

beija_flor

Oribana

 

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